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Prólogos aos livros editados nas sucessivas ediçons do Festival da Poesia
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Cláudio López Garrido
XII Festival da Poesia, 1992
Ser ou nom ser

Ser ou nom ser –eis a questom; será maior nobreza da alma
sofrer a funda e as flechas da fortuna ultrajante ou tomar
as armas contra um mar de infortúnios, opondo-lhes um fim.

William Shakespeare

Sube ou baixa? É um modo de estar ou umha forma de ser? Que fai o galego no alto da escaleira?

Andar às voltas com a calaveira. Ser ou nom ser, estar ou nom estar, ser e nom estar, estar e nom ser. Eis o dilema! Ser ou estar, estar sem ser, estar por estar, estar ao preço de nom ser. Somos e nom somos. Ser o que somos e em tanto que somos ser. Ser porque no ser nos vai o seguir sendo. Ser porque se é. Ser porque o ser é e a nada nom é. Nom ser por ser, nem ser “em”, ser “com” como deve ser.

Que fai o galego no alto da escaleira? É um modo de estar ou umha forma de ser? Sube ou baixa?

Baixar ou subir, ir ou vir, ficar... talvez só convir. Escaleira arriba ou abaixo um mesmo caminho a percorrer. O galego nunca está na mesma escaleira ainda que o poda parecer. A sua forma é o fundo. Mira para onde o galego mira, nom te fixes nos pés.

Sube ou baixa? É un modo de estar ou umha forma de ser? No alto da escaleira, que está o galego a fazer?

Dormir... talvez sonhar. Hesitar entre perder-se afirmando-se ou lentamente esmorecer. Desde o alto, mira o mundo com os olhos dos que ainda estám por nascer. Eis, o galego, a tua razom de ser. Grava a ferro quente o futuro no teu ser. O sol e o rio som novos cada dia, o devir só é invençom, vontade, poder. Poder estar ou poder ser? Ser poder para estar e ser. Deixa de duvidar, o que se poda dizer e pensar, deve ser. Nom te mires no espelho dos outros se te queres reconhecer. Ti és Ninguém contra Polifemo, razom contra a semrazom, flagráncia permanente, persistência no ser, pólem que aguarda um ruivo amanhecer.
 

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XXIII Festival da Poesia no Condado



 SCD CONDADO - 2010