O texto que reproduzimos foi publicado
no livro editado com motivo do 1º Festival
da Poesia no Condado, celebrado em Mondariz-Balneário.
Reflecte umha síntese da actividade realizada desde
a fundaçom da SCD,
tempo em que se organizárom semanas
culturais em todas e cada umha das paróquias
de Salvaterra e em numerosos lugares da comarca. Começava
a recuperaçom da cultura própria em tempos
de fascismo.
Outra das iniciativas a destacar dos primeiros anos foi
o Cineclube organizado
entre 1975 e 1977, no que se projectárom filmes de
prestígio e outros daquela proibidos, como o Acoraçado
Potemkin. E também teatro,
concertos de bandas
de música, de música tradicional, cabalgatas
de reis, magustos...
A SCD também prestou atençom ao desporto,
organizando os primeiros campeonatos de futebol
de salom na zona. E dos primeiros no País
em ser convocados em galego, para além de manter
um carácter reivindicativo. E ademais, realizárom-se
marchas ciclistas,
maratonas e jornadas
de piraguísmo.
Entre 1977 e 1979 muitas das pessoas que compunha a Sociedade
trabalhárom na Xunta
de Viciños do Condado, entidade popular
e nacionalista que convocou em Ponte Areas a maior mobilizaçom
da história recente da comarca (mais de duas mil
pessoas sem autorizaçom) contra o Plano de Ordenaçom
do Condado, proposto por José Castro. De facto, a
Xunta conseguiu paralisar o projecto que pretendia instalar
celuloses, extraer áridos do Minho e construir a
barragem de Sela, entre outras agressons. Durante dous anos
editárom oito exemplares do periódico anticaciquil
A Voz
do Condado e em 1979 obtinham três concelheiros
eleitos em Salvaterra.
O trabalho com os nenos
e nenas foi constante, organizando festas
infantis, magustos,
jornadas pedagógicas,
concursos de murais
pola comarca e o dia da árvore,
no que se plantárom numerosas espécies autóctones
em Salvaterra de Minho.
Desde 1981 até hoje a SCD dedica boa parte do ano
à organizaçom do Festival da Poesia, salvo
um paréntese entre 1996 e 2001, no que por questons
económicas, boicotes e outros motivos a SCD reduziu
a sua actividade e deixou de celebrar o Festival.
No entanto, em 1999 organizou junto a amigos e amigas de
Suso
Vaamonde umha multitudinária homenagem
à sua trajectória (com o protagonista vivo)
que encheu as instalaçons do pavilhom desportivo
com a presença das melhores formaçons musicais,
poetas e representantes da vida cultural e política
galega.
Ao pouco tempo, a Sociedade apresentou no Concelho de Salvaterra
umha proposta para mudar os nomes das ruas fascistas e galeguizá-los.
A iniciativa, aprovada por unanimidade, trouxo ao rueiro
da vila nomes como Rosalia de Castro, Castelao, Suso Vaamonde
ou Curros Enríquez.
O Festival da Poesia realiza-se habitualmente em Salvaterra
(salvo ediçons celebradas em Mondariz-Balneário,
Salzeda de Caselas, Ponte Areas e Porrinho). Por el passárom
reconhecidos/as poetas como Méndez
Ferrín, Neira
Vilas, Manuel María,
Bernardino Graña,
Marta Dacosta, Manolo
Rivas, M.A. Fernanvello,
Mª do Carme Kruckenberg,
Viale Moutinho...
Além de escritores/as da maior parte dos países
da lusofonia, de Euskadi e dos Països Cataláns.
No ámbito musical, estivêrom cantores como
Suso Vaamonde, Emílio
Cao, Amancio Prada
ou os portugueses José
Afonso, Fausto,
e Vitorino. E grupos
como Fuxan os Ventos,
Os Diplomáticos,
Milladoiro, Hertzainak,
Chouteira, Carlos
Mejia Godoy y los de Palacagüína (Nicaragua),
Manecas Costa (Guiné-Bissau),
Paulinho Vieira (Cabo
Verde) ...
Em varías ocasions celebrárom-se concorridos
encontros de humoristas,
dos que se editárom várias compilaçons
de trabalhos. Destes encontros, que reunírom à
maior parte dos/as humoristas galegas, saírom fruitos
como a publicaçom satírica Can
sen Dono, da que depois tomaria relevo o Xó!.
E foi sempre umha festa das artes e da cultura, com mostras
de editoriais, de
tecido artesanal,
alfareria, fotografia,
escultura, pintura,
coiro ou gaitas.
Todas as formas de expressom artística tivêrom
e tenhem cabida no festival.
A 30 anos do seu nascimento, a Sociedade
Cultural e Desportiva do Condado continua com folgos
e ares renovados, aguardando cumprir, polo menos, trinta
anos mais para celebrá-lo com festa e compromisso.
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