Os pretendidos aproveitamentos energéticos
farám-se através de duas centrais em Crescente
e nas Neves e umha outra em Melgaço. Designados por
“saltos escalonados”,
as chamadas minicentrais som apresentadas polos seus promotores
como a soluçom aos problemas que ocasionaria a contestada
barragem do Sela. Nom obstante, as “comportas para
espécies migratórias” nom impedirám
o deterioro da vida da lampreia ou o sábel, e a reduçom
da altura nom evitará a inundaçom de 208 hectares
de terra, nas quais se encontram importantes plantaçons
de videiras, um dos motores económicos das vilas
raianas. Para além disso, esta faixa do Minho já
foi proposta para a Rede Natura 2000.
Os agentes sociais das zonas afectadas estám em
alerta. Assim, o colectivo ambientalista ADENCO já
manifestou a sua oposiçom a um “projecto que
dá luz aos verdadeiras propósitos destas empresas:
esgotarem os recursos naturais de que ainda dispomos sem
terem em conta a necessidade deles”. Também
se opugérom a estes projectos organizaçons
políticas como o BNG e NÓS-UP, e ainda a Sociedade
Cultural e Desportiva (SCD) do Condado.
Os presidentes de Cámara de Crescente, as Neves,
Arvo e Salvaterra ainda nom emitírom nenhum posicionamento
oficial, embora já se intua a desaprovaçom
das represas por parte destas cámaras municipais.
Por sua vez, os autarcas portugueses de Melgaço e
Monçom criticárom o projecto polo seu secretismo
e qualificam-no de inecessário, já que os
parques eólicos previstos no Vale do Minho garantirám
o pleno abastecimento energético.
MIBEL: um pacto à
medida de Fenosa e EDP
As pretensons da aliança entre Fenosa e a EDP respondem
ao pacto atingido entre Aznar e Durão Barroso para
desregular a comercializaçom de electricidade entre
o Estado espanhol e Portugal a partir do dia 20 de Abril,
o Mercado Ibérico da Electricidade (MIBEL). Fenosa
é umha das principais beneficiárias, já
que a Galiza dirige para Portugal 59% do total da energia
exportada no Estado e, aliás, os preços da
electricidade para o consumo doméstico português
som 20% mais caros.
O MIBEL reforça a privatizaçom do mercado
da energia, que pom fim ao seu conceito de serviço
público. E as grandes empresas eléctricas
passam a dominar um espaço peninsular com 50 milhons
de consumidores e consumidoras.
A EDP era a companhia pública de electricidade portuguesa.
Actualmente, o Estado só detém 30% do corpo
de accionistas e já anunciou a completa privatizaçom
da empresa que domina 95% do mercado luso. É a única
eléctrica que produz e distribui energia em toda
a península, através do controlo de Hidrocantábrico,
e também tem interesses imobiliários e gaseificadores.
Conta com presença na América Latina, na África
e em Macau.
Uniom Fenosa está interessada em realizar alianças
ou investir na UDP, visando o mercado português. No
entanto, exige a completa privatizaçom da companhia
portuguesa para atingir novos acordos.

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