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Noticia publicada no periódico Novas da Galiza
Reparto da energia peninsular beneficia grandes empresas eléctricas
Fenosa e EDP pretendem construir
três barragens na faixa raiana do Minho

Depois de ter fracassado o projecto de construir a barragem do Sela, no rio Minho, as empresas eléctricas apostam agora num plano alternativo. Unión Fenosa e a portuguesa EDP (Eléctrica de Portugal) preveem levantar três barragens de treze metros de alto num trecho de apenas 23 quilómetros de rio, entre o Condado e o Vale do Minho. Segundo fontes do semanário “Expresso”, o desenho foi acordado na última cimeira entre Aznar e Durão Barroso e mantido posteriormente em segredo. Actualmente, está ratificado por ambos os governos estatais e pola Junta da Galiza.

Os pretendidos aproveitamentos energéticos farám-se através de duas centrais em Crescente e nas Neves e umha outra em Melgaço. Designados por “saltos escalonados”, as chamadas minicentrais som apresentadas polos seus promotores como a soluçom aos problemas que ocasionaria a contestada barragem do Sela. Nom obstante, as “comportas para espécies migratórias” nom impedirám o deterioro da vida da lampreia ou o sábel, e a reduçom da altura nom evitará a inundaçom de 208 hectares de terra, nas quais se encontram importantes plantaçons de videiras, um dos motores económicos das vilas raianas. Para além disso, esta faixa do Minho já foi proposta para a Rede Natura 2000.

Os agentes sociais das zonas afectadas estám em alerta. Assim, o colectivo ambientalista ADENCO já manifestou a sua oposiçom a um “projecto que dá luz aos verdadeiras propósitos destas empresas: esgotarem os recursos naturais de que ainda dispomos sem terem em conta a necessidade deles”. Também se opugérom a estes projectos organizaçons políticas como o BNG e NÓS-UP, e ainda a Sociedade Cultural e Desportiva (SCD) do Condado.

Os presidentes de Cámara de Crescente, as Neves, Arvo e Salvaterra ainda nom emitírom nenhum posicionamento oficial, embora já se intua a desaprovaçom das represas por parte destas cámaras municipais. Por sua vez, os autarcas portugueses de Melgaço e Monçom criticárom o projecto polo seu secretismo e qualificam-no de inecessário, já que os parques eólicos previstos no Vale do Minho garantirám o pleno abastecimento energético.
 

MIBEL: um pacto à medida de Fenosa e EDP

As pretensons da aliança entre Fenosa e a EDP respondem ao pacto atingido entre Aznar e Durão Barroso para desregular a comercializaçom de electricidade entre o Estado espanhol e Portugal a partir do dia 20 de Abril, o Mercado Ibérico da Electricidade (MIBEL). Fenosa é umha das principais beneficiárias, já que a Galiza dirige para Portugal 59% do total da energia exportada no Estado e, aliás, os preços da electricidade para o consumo doméstico português som 20% mais caros.

O MIBEL reforça a privatizaçom do mercado da energia, que pom fim ao seu conceito de serviço público. E as grandes empresas eléctricas passam a dominar um espaço peninsular com 50 milhons de consumidores e consumidoras.

A EDP era a companhia pública de electricidade portuguesa. Actualmente, o Estado só detém 30% do corpo de accionistas e já anunciou a completa privatizaçom da empresa que domina 95% do mercado luso. É a única eléctrica que produz e distribui energia em toda a península, através do controlo de Hidrocantábrico, e também tem interesses imobiliários e gaseificadores. Conta com presença na América Latina, na África e em Macau.

Uniom Fenosa está interessada em realizar alianças ou investir na UDP, visando o mercado português. No entanto, exige a completa privatizaçom da companhia portuguesa para atingir novos acordos.
 

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